Friday, January 21, 2011

Noite idílica no Nilo - Feluca nunca mais!

Quando o cara do albergue (Mohamed, como quase todo árabe) no Cairo me disse que o passeio incluía uma noite numa Feluca eu nao quis porque ia representar uma dia a mais e, assim, nao ia conseguir conhecer Alexandria. No final, topei porque queria ir com tudo agendado (ia ter menos confusão e nao estava disposto a enfrentar a estação de trem do Cairo sozinho depois de conhecer o metro e andar de taxi!).

O passeio deveria começar às 12h, mas só chegamos no hotel vindo de Abu Simbel às 13h30min (TUDO no Egito atrasa). Fiquei um pouco preocupado quando o guia falou pra gente comprar biscoito, água e... papel higiênico!! Isso não podia ser bom, óbvio, né?

Quando a gente finalmente saiu às 15h (!), pegamos uma caminhonete (as australianas delirando com o transporte incomum/exótico pra elas). 40 minutos pra chegar onde a Feluca estava, e a gente pensando que
iríamos sair do porto de Aswan... Lá já estavam 2 dinamarqueses (uuhhh yeaaahhhh), que tinham passado a noite já e estavam reclamando de ficarem só 2 dias.

O almoço estava pra ser servido: pão, macarrão com molho ralo de tomate, pepino e queijo. A mesa era o "chão" da Feluca, que também era a nossa cama e, logicamente, onde a gente andava e também a aérea comum (alias, a única). A Feluca é tipo uma jangada, com um grande mastro e uma cobertura. O piso estava coberto por várias almofadas, planas. Me recuso a pensar se algum dia já foram lavadas. Nao tem banheiro (pra isso tem a margem do Nilo!) nem cozinha (vocês acham que eu perguntei de onde vinha a água da comida ou se comi o pepino?). Os dinamarqueses fizeram festa pra comida (uuhhh yeaaahhhh) e eu só querendo ir embora dali! Quando a feluca finalmente zarpou, eu achei que pelo menos a paisagem do Nilo (pense numa água límpida!!) valeria à pena (afinal, o por do sol do Egito é ótimo). A navegação se resumiu a 30 minutos indo de uma margem à outra. O dinamarques ficou contente porque o capitao deixou ele no leme uns minutos (uuhhh yeaaahhhh). Depois de andar uns 100 metros, paramos. Eu, na minha santa inocência. perguntei se já íamos jantar (estava escurecendo). Aí veio a melhor parte: a feluca só navega de dia porque à noite é perigoso por causa dos cruzeiros! Deu vontade de perguntar: "Tio, pode descer? Quero brincar mais não...". Nos deram cobertas, pensei em recusar, mas com aquele frio resolvi abstrair de questões ligadas a higiene... O menu do jantar foi, advinhem, o mesmo do almoço (uuhhh yeaaahhhh)! Mas sem o queijo, que era justamente a melhor coisa!

Nas conversas de praxe de turistas "united colors of Benetton", falei com toda a empáfia cínica dissimulada que era um "Software Engineering Professor", nao agüentava a sociologia observacionista de botequim do
dinamarquês rs. Acho que porque eu falei que Copenhague era uma "small town" ele me perguntou como era o Rio comparado com o Cairo. Quase mandei ele ir catar coquinho, mas nao sabia traduzir rs.

Tinha uma outra Feluca parada próxima que acendeu uma fogueira e a gente foi pra lá socializar, nao houve socialização, mas o calor estava bom! Ainda bem que tinha o iPod! Vi vários episódios de Damages (vaca!!!) e dormi (já falei que estava abstraindo de muita coisa, né?).

O café da manha da longa e gelada noite foi o mesmo pão (uuhhh yeaaahhhh), o mesmo queijo (uuhhh yeaaahhhh) e um chá mate quente (uuhhh yeaaahhhh), que eu detesto, servido na nossa mesa. Ah, ninguém avisou pra levar guardanapo... Depois, atravessamos o rio e pegamos uma van em direção a Luxor. Mas antes, claro, que tinha que dar gorjeta. Eu dei 15 libras (2 euros) que era o que eu tinha de moeda no bolso e o cara ficou puto, tive que trocar dinheiro com o motorista da van rs. Acabei dando 50 enquanto o cara esbravejava. Pelo menos estava livre da Feluca, e só teria que agüentar mais um pouco do dinamarquês e seus "uuhhh yeaaahhhh" pra tudo (parecia é que estava fazendo outra coisa hahahaha).

Gleison, margem do Nilo, 13/01/2011

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